Iniciativa da Prefeitura de São Paulo abre dados para promover soluções em transportes

SÃO PAULO – Um espaço de 350m² no Centro de São Paulo reúne empreendedores de todo o País. Alguns são de cidades do interior paulista, como Sorocaba (SP), mas também tem gente de Pelotas (RS) e do Rio de Janeiro (RJ), por exemplo. Em comum, o desejo de desenvolver soluções em Mobilidade urbana. Esse é o combustível do MobiLab, escritório compartilhado dedicado a incentivar projetos inovadores na área de transportes.

A iniciativa da Secretaria Municipal de Transportes (SMT) da Prefeitura de São Paulo surgiu em 2015, com o objetivo de promover a interação e o trabalho colaborativo entre as empresas nascentes abrigadas no local. A ideia é transformar o governo em startup , diz o coordenador executivo do MobiLab, Rafael Tartaroti. A gente quer levar inovação para dentro do setor público, fazendo concursos, promovendo o código aberto e a abertura de dados , completa.

A essência do projeto, segundo Tartaroti, é promover iniciativas baratas e com rapidez para o Transporte Público. O programa foi feito para ter soluções de Mobilidade urbana que vão ajudar o cidadão, seja o ciclista ou o usuário de metrô , afirma. Para ocupar um dos 40 lugares físicos do MobiLab, as startups interessadas precisam passar pelo programa de residência do local, que já está em sua segunda edição.

As empresas passam por um processo de seleção, aberto por meio de edital, e, se aprovadas, ficam por seis meses. A gente escolhe startups que já tenham um aplicativo rodando ou um produto para apresentar, e que depois de seis meses já esteja lançando o aplicativo para bombar , diz. Para as escolhidas, o programa oferece o espaço de interação com as outras startups, mentoria, apoio técnico e contato com a gestão pública.

Apesar das facilidades, as empresas não recebem investimento do setor público. Mas não pagam para usufruir do espaço. É uma troca interessante. O poder público ganha muito com isso, as startups e o cidadão também. Todo mundo sai ganhando , afirma Tartaroti. Hoje, o MobiLab conta com 12 startups no espaço de coworking e 45 desenvolvedores de diversas cidades do País.

Transporte individual e coletivo

Quando recebeu o comunicado de aprovação no programa de residência, em julho de 2016, a startup Parknet deixou a cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, para se instalar em São Paulo. A intenção era agregar valor a sua ideia e desenvolver seu aplicativo, que mapeia e mostra ao motorista onde estacionar seu carro em determinada localização.

Pesquisas mostram que 30% do trânsito de um horário comercial de uma cidade grande é provocado por pessoas procurando vagas de estacionamento , conta o CEO da Parknet, Luciano Telesca Mota. O objetivo final, diz, é tirar o mais rápido possível da rua o motorista que diminui a velocidade para procurar uma vaga. O aplicativo lançado em agosto de 2016 tem hoje 1.500 usuários cadastrados e 350 pessoas ativas semanalmente.

O MobiLab teve papel fundamental no processo de mapear vagas em áreas públicas, inclusive as destinadas a idosos e deficientes, diz o CEO da startup gaúcha. Poucos lugares têm uma facilitação de acesso a dados da Prefeitura. Foi imprescindível ter esse acesso e essa facilitação de conversas , afirma Telesca. Ele conta que o programa de residência conectou a Parknet com os técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que disponibilizaram dados relevantes sobre as vias do município.

Assim como a Parknet, a startup OnBoard Mobility aproveitou o espaço para amadurecer seu projeto. Como conta o CEO da Onboard, Luiz Renato Mattos, o MobiLab, por ser um espaço específico para atender demandas de transporte, acaba proporcionando contato com os gestores e maior acesso a dados. É um modelo muito inteligente, que leva soluções inovadoras para dentro do setor público , avalia.

A OnBoard criou um aplicativo em que o usuário compra créditos e os utiliza para acessar o Transporte Público, sem usar o cartão e sim o celular como passe. Estamos bem avançados em conversas com uma prefeitura no interior de São Paulo e uma no interior da Bahia, trabalhando com projetos pilotos , afirma Mattos. A expectativa dele é que os testes sejam homologados neste semestre e que a ferramenta possa então ser aberta para a população.

A meta da empresa é se tornar a melhor forma de comprar créditos, fornecendo comodidade e autonomia para o usuário, diz Mattos. Não queremos acabar com os cartões, queremos diminuir a burocracia no cadastro e atendimento desse setor, que depende muito da presença física , afirma. A OnBoard foi uma das sete empresas escolhidas recentemente no Ahead Visa, programa de aceleração da Startup Farm,

Para os gestores, o aplicativo poderia significar economia. De acordo com Mattos, as prefeituras poderiam economizar com a emissão e o plástico do cartão, além de reduzir custos no atendimento do sistema, porque ele passaria a ser on-line. Estamos bem confiantes na abertura das gestões, eles estão bem propensos a reduzir custos, melhorar atendimento, procurar inovação tecnológica , avalia.

Matheus Riga

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