Reintegração no transporte público é possível? Os desafios de Greca

Promessa do prefeito recém-empossado Rafael Greca (PMN), o começo da reintegração do transporte urbano e metropolitano foi anunciado para o próximo dia 23, com a retomada da operação da linha Colombo/CIC. Mas a extinção de linhas nunca foi apontada como uma desintegração de fato, até porque os passageiros continuaram podendo vir da região metropolitana pagando apenas uma tarifa – mesmo que isso agora custe mais e seja mais penoso.

Tanto a Comec quanto a gestão anterior da Urbs sempre concordaram que a desintegração havia se dado sob a gestão. Explica-se: sem a renovação do convênio entre as duas, o dinheiro da Rede Integrada de Transportes deixou de ser gerido integralmente pela Urbs. Uma reintegração, portanto, dependeria da unificação dos caixas dessas linhas. E também sobre o destino que se dará aos sistemas de bilhetagem que hoje coexistem na RIT (leia mais abaixo).

Outra questão pendente é a tarifa. A gestão da Comec criou os chamados anéis tarifários. Antes da desintegração, todos os passageiros da RI pagavam o mesmo valor. Agora, passageiros de municípios mais distantes da capital pagam mais.

Veja abaixo algumas das perguntas que ainda terão de ser respondidas pelo grupo de estudos formado para discutir a implantação do novo Sistema Metropolitano Integrado de Passageiros

A reintegração do transporte público de Curitiba

1 – Inclusive as linhas Metropolitanas graças a um convênio com o Estado


2 – Uma associação formada pelas empresas de ônibus. Sob fiscalização da Comec

*Valor referente apenas à operação das 106 linhas metropolitanas integradas, antes do rompimento do convênio. Não há dados públicos sobre a receita total do sistema após a desintegração da gestão

O que será necessário para reintegrar?

A bilhetagem será integrada?

As empresas de ônibus tem um contrato de manuteção da bilhetagem em Curitiba que custa R$ 435 mil/mês para 1.650 validadores. Na região metropolitana, elas têm um compromisso de R$ 312 mil/mês para 1.000 validadores. Atualmente, esses dois sistemas não são integrados. Há cidades, como São Paulo, que têm mais de um fornecedor e isso é possível tecnicamente, mas não é comum

A gestão será pública ou privada?

Definir quem fará a gestão do dinheiro arrecadado com os pagamentos de tarifas. Em Curitiba, esse dinheiro passa por um fundo público administrado pela Urbs. Nas linhas metropolitanas, a gestão é de responsabilidade da Metrocard – uma associação das próprias empresas de ônibus

E a tarifa, voltará a ser única?

A tarifa única da RIT acabou. A Comec decidiu implantar os chamados degraus tarifários. São quatro ao todo, de acordo com a distância. A tarifa média desses degraus hoje está em R$ 4. Uma volta ao patamar atual de Curitiba (R$ 3,70) significaria mais subsídios

O governador aumentará seu subsídio para o sistema?

Hoje, o Governo do Estado e a Prefeitura de Araucária subsidiam o sistema com R$ 5,4 milhões/mês. Essa conta está nesse valor graças aos degraus tarifários. Levando em consideração que o sistema transportava 460 mil pessoas por dia útil, se a tarifa voltasse a ser única e ficasse na casa dos R$ 3,70, seriam necessários R$ 9 milhões por mês

As linhas metropolitanas enfim serão licitadas? E o sistema de Curitiba, que já está licitado, entrará nesse modelo?

O sistema metropolitano de Curitiba atualmente funciona sob permissão precária. Uma licitação está sendo estudada pela Comec. Mas ela precisará atender ao novo Estatuto das Metrópoles, que prevê a integração dos serviços nessas regiões. Curitiba então deveria entrar nesse processo, mas a cidade já fez uma licitação em 2010.

A oferta voltará a ser como antes?

Com o início da operação pela Comec, houve extinção, criação e encurtamento de linhas. Reportagem da Gazeta do Povo de outubro de 2016 mostrou que já haviam sido realizadas 70 mudanças até aquele momento. O órgão estadual chamou o processo de “otimização” da rede. Com a reintegração, as linhas modificadas e a oferta voltará a ser o que era antes da desintegração da gestão? Por enquanto, Greca anunciou o retorno de uma dessas linhas e estudos para que outras duas também voltem a operar em até seis meses

10 ou 12 anos? Qual será a idade máxima permitida dos veículos?

O contrato de concessão de Curitiba prevê ônibus com idade máxima de 10 anos e uma frota com idade média de cinco anos. Logo após que assumiu a gestão, a Comec aumentou a idade máxima para 12 anos sob o argumento de que os trajetos metropolitanos desgastam menos os veículos. Esse padrão será mantido ou voltará a ser como Curitiba?

FONTE: ANTP

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